Tecnologia para águas complexas

Água produzida deixou de ser passivo.

Tratamento eletroquímico para águas oleosas de óleo e gás: o fenômeno, explicado em cinco etapas. Mostramos como o reator trabalha, quais rotas de destino existem e o que os ensaios precisam mostrar antes de qualquer implantação.

  • Eletrocoagulação · eletro-oxidação · eletroflotação
  • Módulos em skid de 10 m³/h nominais
  • Modelo de serviço: a unidade é nossa
  • Rota definida ensaio a ensaio
Role para ver o processo

O problema

Água produzida não é água suja. É uma emulsão.

Ilustração em linhas técnicas: gotículas finas de óleo dispersas em água, que se agregam em flocos maiores ao longo do fluxo.
Ilustração conceitual — emulsão óleo-em-água em escala microscópica: gotas finas e estáveis que só se separam depois de desestabilizadas.
  1. O que é água produzida

    É a água que chega junto com o óleo, extraída do reservatório na mesma corrente do petróleo. Vem emulsificada — gotas finas de óleo dispersas em água — com sal, sólidos e orgânicos dissolvidos. A composição varia com o reservatório e com a operação: não existe uma água produzida única.

  2. Por que é difícil

    A emulsão é estável por construção: gotas finas, tensoativos naturais e sólidos finos a estabilizam. A carga varia de poço para poço e de um dia para o outro, e essa química em movimento quebra dosagens fixas e soluções de prateleira. Tratar essa corrente exige um processo que se ajuste à matriz — e não o contrário.

  3. Por que só bombear e remover não resolve

    Sem quebrar a emulsão, óleo e sólidos seguem presos na água — para o tanque, para o caminhão, para o destino final. O passivo não desaparece: muda de lugar e volta como custo de operação. Por isso o tratamento começa pela separação de fases, e não pelo transporte.

A tecnologia

O reator produz o tratamento dentro da corrente.

No reator eletroquímico, uma corrente elétrica controlada gera, in situ, os agentes do tratamento: coagulante — íons metálicos liberados pelo eletrodo — e oxidantes — radicais hidroxila (•OH). A eletrólise usa corrente alternada de frequência variável, ajustada à carga da corrente. Nada é dosado de fora: o fenômeno nasce na própria corrente, e os parâmetros de operação são definidos ensaio a ensaio.

Ilustração em corte de um reator eletroquímico: placas-eletrodo energizadas, microbolhas subindo e flocos de óleo e sólidos em formação.
Ilustração conceitual de reator eletroquímico em corte — não representa um equipamento específico.

Eletrocoagulação

Os íons metálicos liberados pelo eletrodo destabilizam a emulsão: neutralizam cargas e agregam gotas de óleo e partículas em flocos. A coagulação acontece dentro da própria corrente, sem dosação externa de sais. É o primeiro passo para que as fases possam se separar.

Eletro-oxidação

Radicais hidroxila (•OH) oxidam orgânicos dispersos e compostos reduzidos, como sulfetos. A oxidação abre caminho para a separação e reduz a carga que chega ao polimento. O potencial oxidante nasce no eletrodo — não em tanque de dosagem.

Eletroflotação

Microbolhas formadas na eletrólise aderem aos flocos e carregam óleo e sólidos até a superfície. A flotação organiza as fases em camadas dentro do reator. Menos turbulência, separação mais limpa.

Separação e polimento

Óleo, água e lodo se organizam em fases distintas; a água tratada segue para filtração e ajustes finais. O polimento é dimensionado conforme o destino escolhido — descarte, reinjeção ou reúso. Cada destino tem seus critérios, e os critérios definem o acabamento.

Rotas reais combinam o reator com auxiliares de processo — polímeros, ajuste de pH, peróxido, filtração ou flotação — definidos ensaio a ensaio. Não entregamos um "processo único": montamos a rota que a sua matriz exige.

Validação por ensaios de tratabilidade em bancada e piloto, com análises em laboratório acreditado. O que os ensaios mostram para a sua corrente define a rota — não o contrário.

Infográfico

O fenômeno em cinco etapas.

Uma unidade em skid, cinco etapas. Acompanhe a corrente da chegada ao destino — e, na lente, o que acontece na escala da gota.

Na escala da gotaVista microscópica conceitual

01/ 05

Chegada da corrente

A corrente chega com carga variável: emulsão oleosa, sal e sólidos finos.

Na escala da gota:Gotículas finas de óleo e sólidos finos dispersos na água, estabilizados por cargas e tensoativos naturais.

Esquema conceitual. Rotas e resultados dependem da caracterização do efluente e de ensaios de tratabilidade — não constituem garantia de desempenho.

Comparativo

Linha completa contra linha completa.

Da etapa secundária em diante, a comparação pertinente não é entre operações unitárias isoladas, e sim entre linhas de tratamento completas, dimensionadas para a mesma qualidade de saída.

Uma rota ocupa quatro etapas do tratamento convencional

Rotas convencionais encadeiam de três a cinco unidades distintas para atingir o enquadramento. O módulo eletroquímico comprime esse encadeamento da etapa 2 em diante.

Preliminar e primárioSecundárioTerciário e desinfecçãoReúso e recuperação
  • Condicionamento físicoGradeamento, separação de óleo, equalização — Etapa 1
  • Físico-químico convencionalCoagulação, floculação, precipitação — Etapas 1–2
  • Biológico anaeróbioUASB, biodigestores — Etapa 2
  • Biológico aeróbioLodos ativados, MBBR, SBR, nitrificação — Etapa 2
  • Terciário convencionalPOA, membranas, carvão, cloração — Etapa 3
  • Módulo eletroquímicoSecundária, terciária, desinfecção, reúso e recuperação — Etapas 2–4

Leitura: a única etapa que permanece a montante é o condicionamento físico, presente em qualquer planta industrial. Da etapa 2 à 4, o módulo eletroquímico substitui — observada a caracterização de cada corrente — o reator biológico, a precipitação química de nutrientes e a desinfecção. A comparação econômica correta é entre trens completos para a mesma qualidade de saída.

Dezenove critérios, seis rotas

As faixas das rotas convencionais decorrem de literatura técnica de referência e de séries multiplanta publicadas; as do módulo eletroquímico, das campanhas descritas nesta seção.

Eixo A — Perfil de processo: o que a rota efetivamente entrega
CritérioCondicionamento físicoFísico-químico convencionalBiológico anaeróbio (UASB)Biológico aeróbio (lodos ativados, MBBR, SBR)Terciário convencionalMódulo eletroquímico
Princípio operacionalSeparação gravitacional: retenção e flotação, sem alteração química da matriz.Desestabilização coloidal por reagentes comprados, seguida de precipitação.Digestão da matéria orgânica por consórcio anaeróbio, com geração de biogás.Oxidação biológica sob aeração forçada, em biomassa suspensa ou aderida.Oxidação por ozônio, UV ou peróxido; exclusão por membrana; adsorção em carvão.Dupla conversão sob corrente alternada de frequência variável: coagulante e oxidante gerados in situ, com produção de radicais hidroxila.
Etapas do tratamento cobertasPreliminar e primário.Primário; polimento.Secundário.Secundário; nitrificação.Terciário; desinfecção.Secundária, terciária, desinfecção, reúso e recuperação — em módulo único.
Parâmetros removidosGrosseiros e sedimentáveis; óleos e graxas livres.SST, fração coloidal, fósforo, metais, cor.DBO; DQO parcial; sólidos.DBO, DQO, N amoniacal, SST.Micropoluentes, cor, patógenos.DQO, DBO, N e P totais, surfactantes, sulfetos, TOG, SST, cor, metais.
Tempo de detençãomenor é melhorMinutos; 1 a 2 h com decantador primário.20–60 min, entre mistura, floculação e separação.6–10 h, mais decantador secundário.6–24 h, mais decantador secundário.15–60 min, sobre efluente já tratado.Menos de 5 min em efluente complexo — duas ordens de grandeza abaixo das rotas biológicas.
Eficiência sobre carga orgânicamaior é melhorDBO 5–10%; 25–40% com decantador primário. Não atinge a fração dissolvida.DQO 30–70%; DBO 50–80% e SST 80–90% com dosagem contínua.DBO 60–75%, DQO 55–70% — mínimo legal, sem margem adicional.DBO 85–95%, DQO 85–90% — referência do setor.DQO 40–70%, sobre a carga residual de montante.DQO 87,8–99,7% (média de 94,4% em esgoto bruto); DBO 99,0–99,6% nas matrizes descritas.
Remoção de nutrientes (N e P)maior é melhorNula.Fósforo 80–95% por precipitação; nitrogênio 20–25%.Praticamente nula; converte N orgânico em amoniacal.25–30% sem etapa dedicada; remoção efetiva exige nitrificação, desnitrificação e dosagem química.Parcial, conforme o processo adotado.N 34,7 → < 1,1 mg/L e P 6,5 → < 1 mg/L nas campanhas, sem reagente precipitante nem etapa dedicada.
Envelope de matriz admissívelmaior é melhorIndiferente à composição.Amplo, mediante reformulação da dosagem.Estreito: pH 6,5–7,5; sulfetos e metais são inibidores.Estreito: relação C:N:P, salinidade e toxicidade limitam.Depende de carga estável a montante.Envelope declarado para água produzida: salinidade até 50.000 mg NaCl/L, pH 3 a 10, H₂S até 4.000 ppmv, TOG até 1.000 mg/L; condutividade elevada é funcional ao processo.
Eixo B — Economia do ativo: energia, insumos, resíduo, área e coprodutos
CritérioCondicionamento físicoFísico-químico convencionalBiológico anaeróbio (UASB)Biológico aeróbio (lodos ativados, MBBR, SBR)Terciário convencionalMódulo eletroquímico
Consumo energético (kWh/m³)menor é melhor0,02–0,10 — apenas elevatória.0,05–0,30 — mistura, floculação e flotação.0,02–0,10 — apenas bombeamento.0,30–0,80 em porte médio e grande; aeração responde por 25 a 80% do consumo da estação.0,05–2,50 adicionais: filtração e carvão, osmose reversa, POA intensivo.0,25–0,50, conforme a tipologia — substitui o consumo de aeração e do terciário; admite geração fotovoltaica dedicada.
Aditivos químicos compradosmenor é melhorNão; sem exposição a insumos.Contínuo: coagulante, polímero, alcalinizante e oxidante.Eventual: alcalinizante para controle de pH e alcalinidade.Eventual: nutrientes, antiespumante e fonte de carbono.Contínuo: ozônio ou peróxido, antiincrustante, cloro, reposição de leito.Coagulante e oxidante gerados in situ; auxiliares de processo, quando necessários, definidos ensaio a ensaio.
Resíduo sólido: volume, classe e destinaçãomenor é melhorGrosseiros, areia e escuma — aterro.A precipitação eleva a massa de lodo; Classe I na presença de metais.0,10–0,20 kg SST/kg DQO, já digerido e adensado.0,6–0,9 kg ST/kg DBO a dispor (1,2–1,6 a tratar); desidratação obrigatória e aterro.Concentrado líquido e leito de carvão saturado.Sólido inerte Classe II B, incorporável a cerâmica e concreto; em esgoto, substrato NPK.
Área ocupadamenor é melhorMuito baixa.Compacta, sobretudo com flotação.0,03–0,10 m²/hab em arranjo com pós-tratamento compacto.0,2–0,3 m²/hab em lodos ativados; lagoas, 1,5 a 5,0 m²/hab.Compacta, somada à linha de tratamento a montante.Compacta e verticalizável; obra civil restrita a piso impermeabilizado e contenção.
Coprodutos com valor de mercadomaior é melhorNenhum.Nenhum.Biogás, para cogeração ou queima.Nenhum.Nenhum.Rotas de recuperação avaliadas caso a caso: água de reúso, sólido inerte, substrato NPK e demais linhas em desenvolvimento.
Eixo C — Operação, risco e continuidade
CritérioCondicionamento físicoFísico-químico convencionalBiológico anaeróbio (UASB)Biológico aeróbio (lodos ativados, MBBR, SBR)Terciário convencionalMódulo eletroquímico
Partida e tempo de respostamenor é melhorImediata.Minutos — ajuste de dosagem em tempo real.15–60 dias com inóculo; 3 a 6 meses sem.15–30 dias — formação e estabilização do lodo.Horas.Minutos — resposta elétrica, sem maturação biológica; aciona e para com a curva de vazão.
Tolerância a choque de carga e toxicidademaior é melhorIndiferente à composição.Alta, mediante reajuste de dosagem.Crítica: sulfetos, metais e queda de pH inibem a metanogênese; recuperação em semanas.Baixa: risco de arraste da biomassa e 2 a 4 semanas de reestabilização.Média: exige carga estável a montante.Demonstrada em matriz extrema nas campanhas: DQO de entrada de 103.000 mg/L com 300 mg/L de sulfeto conduzida ao enquadramento.
Continuidade operacionalmaior é melhorAlta.Depende da continuidade do fornecimento de reagentes.Desequilíbrio do reator implica semanas de recuperação.Perda de biomassa implica reestabilização.Parada para troca de leito e limpeza de membrana.30% de capacidade excedente por reator; intervenção em um módulo sem interromper o tratamento.
Emissão de gases de efeito estufamenor é melhorDesprezível.Indireta — produção e transporte de reagentes e de lodo.Metano fugitivo: cerca de 3,9 kg CO₂e/m³ sem captação de biogás.Óxido nitroso da nitrificação e desnitrificação: cerca de 0,3 kg CO₂e/m³.Indireta — energia e insumos oxidantes.Sem CH₄ nem N₂O de processo; Escopo 2 segue a matriz elétrica (cerca de 0,015 kg CO₂e/m³ no SIN) e se anula com geração fotovoltaica dedicada.
Enquadramento na CONAMA 430/2011maior é melhorNão atende — etapa de precondicionamento.Parcial: pH, óleos e graxas, sedimentáveis, metais e fósforo; a DBO depende da dosagem.Parcial: mínimo de 60% de remoção de DBO com margem estreita; exige pós-tratamento.Supera o teto de 120 mg/L de DBO do art. 21.Excede, como complemento a um secundário conforme.Enquadramento demonstrado nas campanhas, contra o critério mais restritivo entre CONAMA 430/2011 e diretriz estadual — condicionado à caracterização de cada corrente.
Aptidão a reúso e recuperaçãomaior é melhorNula.Baixa: eleva a salinidade do efluente tratado.Baixa: exige pós-tratamento obrigatório.Média, com filtração e desinfecção complementares.Total, ao custo de uma linha completa de tratamento a montante.Água de reúso ou potável, conforme os parâmetros exigidos pela legislação local, nas condições das campanhas; rotas de recuperação avaliadas caso a caso.
Maturidade e escalabilidademaior é melhorUniversal.Milhares de referências no país.Padrão nacional em saneamento; escala por obra civil.Padrão nacional em saneamento; escala por obra civil.Consolidada no mercado.Unidade industrial de referência de 100 m³/h; campanhas em múltiplas matrizes; escala por adição de cartuchos, de 1 a 1.000 m³/h.

Barras preenchidas indicam magnitude relativa em escala de cinco níveis (0 = nula); o marcador ao lado de cada critério informa a direção favorável. Valores do módulo eletroquímico referem-se às campanhas descritas — o desempenho em cada corrente depende de caracterização e de ensaio.

Três arquiteturas, a mesma qualidade de saída

Comparar um módulo integrado com operações unitárias isoladas é assimétrico. A tabela soma todas as unidades necessárias para atingir cada qualidade-alvo, em esgoto sanitário doméstico.

Linhas completas comparadas para a mesma qualidade de saída, em esgoto sanitário doméstico
Base de comparaçãoSistema convencional AAnaeróbio + pós-tratamento aeróbio + desinfecçãoSistema convencional BSistema A + tratamento terciário para reúsoLinha eletroquímica CWSCondicionamento físico + módulo eletroquímico
Unidades de processo5 a 77 a 92 a 3
Tempo de detenção total8 a 30 h9 a 32 hMenos de 1 h
Tempo de partida15 a 60 dias com inóculo; 3 a 6 meses sem15 a 60 dias com inóculo; 3 a 6 meses semMinutos — acionamento imediato, sem maturação biológica
Aditivos químicos compradosAlcalinizante, cloro, polímeroSistema A + oxidante, antiincrustante, leito adsorventeNenhum comprado: coagulante e oxidante gerados in situ; auxiliares de processo definidos ensaio a ensaio
Área de toda a planta0,03–0,30 m²/hab0,05–0,35 m²/habCompacta e verticalizável
Lodo a dispor20–45 gST/hab·d20–45 gST/hab·dSólido inerte, incorporável a cerâmica e concreto
Passivo climático de processoCH₄ fugitivo e N₂OCH₄, N₂O e energia do terciárioSem CH₄ nem N₂O de processo; Escopo 2 segue a matriz elétrica
Coprodutos recuperadosBiogásBiogásÁgua de reúso, sólido inerte e substrato NPK; demais rotas de recuperação avaliadas caso a caso

Ordens de grandeza a 160 L/hab·d e 50 gDBO/hab·d. Serve para ordenar alternativas, não para dimensionar.

Onde a diferença é decisiva

  • Matrizes tóxicas, salinas ou de carga extrema — quando a partida do reator biológico é inviável e a alternativa convencional passa a ser incineração ou coprocessamento, ordens de grandeza mais onerosas.
  • Recuperação de ativos dissipados — metais em correntes de mineração e metalurgia, óleos e graxas, nutrientes — carga que o tratamento convencional converte em lodo e destina a aterro.
  • Restrição severa de área — retrofit em sítio confinado, unidade portuária ou plataforma: planta compacta, verticalizável, que aproveita a estrutura existente.
  • Operação intermitente, sazonal ou emergencial — sem biomassa a manter ativa fora de campanha, desaparece o custo fixo de ociosidade.
  • Alvo de reúso apoiado em POA, membranas ou osmose reversa — entre as rotas mais intensivas em energia e insumos para atingir os mesmos parâmetros.
  • Descarbonização de escopo 1 — onde o passivo de metano e óxido nitroso do tratamento biológico é material para o inventário.

Procedência

Faixas das rotas convencionais (1 a 5): von Sperling (lodos ativados; lagoas de estabilização; introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos), Chernicharo (reatores anaeróbios) e Alem Sobrinho & Jordão (PROSAB — pós-tratamento de efluentes de reatores anaeróbios). Séries multiplanta revisadas por pares: levantamento de 241 estações italianas (Water Science & Technology 77/9, 2018), campanha em 14 estações portuguesas (Water 14, 2022) e benchmarking do EPRI e da Water Research Foundation (2013). Revisões de tratamento primário avançado e de processos terciários e de reúso (Journal of Water Process Engineering, 2017; US EPA, 2017; Water Research X 13, 2021).

Fatores de emissão e inventário: IPCC (2021), AR6, Grupo de Trabalho I, cap. 7 — potenciais de aquecimento de 27,0 (metano) e 273 (óxido nitroso) em horizonte de 100 anos; IPCC (2019), Refinement to the 2006 Guidelines, vol. 5, cap. 6; fator de emissão da geração elétrica brasileira conforme MCTI, Sistema de Registro Nacional de Emissões, margem de operação do SIN. Premissas de conversão: 160 L/hab·d e cargas de 50 gDBO/hab·d e 100 gDQO/hab·d.

Os valores do módulo eletroquímico referem-se às campanhas descritas nesta seção. O desempenho em cada aplicação depende da caracterização da corrente específica e de ensaio de tratabilidade prévio.

Rotas

Para onde vai a água tratada.

Descarte conforme

Água tratada até atender aos critérios de descarte aplicáveis à sua operação e à sua licença. Os parâmetros exigidos definem o grau de polimento da rota. O atendimento é verificado por ensaio, com análises em laboratório acreditado — não por inferência.

Condição: Condicionado à matriz e à licença.

Reinjeção

Devolver a água tratada ao reservatório é o destino que reduz o volume retirado do campo. Antes da injeção, a corrente precisa se manter estável e compatível com a formação. Por isso a avaliação começa pela química da água e do poço — não pelo equipamento.

Condição: Condicionada à compatibilidade química com o poço.

Reúso industrial

Água polida para voltar ao processo — utilidades, lavagem, refrigeração ou outra operação interna. O objetivo do reúso define os parâmetros de qualidade e, com eles, o polimento necessário. Cada uso tem seu critério; o tratamento é ajustado a ele.

Condição: Exige polimento conforme o objetivo.

Rota em desenvolvimento

Óleo recuperado

Quebra de emulsão → flotação → centrifugação: uma rota para separar o óleo retido e devolvê-lo ao produtor. A rota segue em desenvolvimento e avaliação, distinta da corrente de água.

Proposta em avaliação, distinta da corrente de água.

Cases

O que medimos, amostra por amostra.

Quatro ensaios e pilotos, quatro matrizes distintas — offshore, curtume, terminal portuário e saneamento. Cada número vale para aquela amostra, sob a rota indicada. Repetir o resultado exige repetir as condições; é por isso que começamos sempre pela caracterização.

Dois frascos lado a lado: efluente escuro e corrente clarificada.
Óleo e gás — offshore

Água produzida offshore

Ensaio de tratabilidade em bancada (2025) sobre água produzida de ativo tipo FPSO.

Três rotas eletroquímicas comparadas; resultados da rota de oxidante intensificado — reator + auxiliares + filtração.

Amostras de água produzida offshore passaram por três rotas eletroquímicas comparadas em bancada. A rota de oxidante intensificado — reator, auxiliares e filtração — apresentou a melhor combinação de remoção de óleo disperso e de carga orgânica, com energia medida também em operação de campo. O resultado sustenta a próxima etapa: ensaio em escala maior.

TOG
204 → < 5 mg/L (97,5% de remoção)
DQO
4.399 → 301 mg/L (93,2%)
H₂S
7,25 → 0,04 mg/L (> 99%)
Energia em campo
0,25–0,67 kWh/m³

Resultado daquela amostra, na rota ensaiada; TOG tratado abaixo do limite de referência CONAMA 393/2007 (29 mg/L).

Tanque de processo com líquido em separação.
Curtume

Efluente de curtume

Efluente bruto pós-filtro de disco (bancada, sem ajuste de pH) e efluente pós-ETE em fluxo contínuo (2026).

Reator + auxiliares — polímeros; pH 5,0 com ácido no contínuo — + filtração/flotação.

Efluente de curtume é carga orgânica alta e variável. Ensaiamos duas correntes distintas — bruto pós-filtro de disco e efluente pós-ETE — em bancada e em fluxo contínuo, ajustando polímeros e pH ensaio a ensaio. A rota confirmou remoção expressiva de DQO e turbidez naquelas correntes, com filtração e flotação completando o acabamento.

DQO (bruto)
3.800 → 200 mg/L (94,7%)
Turbidez
> 500 → 1 NTU (> 99,8%)
DQO (pós-ETE)
580 → 21 mg/L (96,4%)
N-amoniacal
60 → < 4 mg/L (> 93%)

Dois pontos de amostragem distintos (bruto e pós-ETE); valores válidos para aquelas correntes e rotas.

Mangueiras de carregamento em cais portuário.
Terminal portuário

Blend de correntes portuárias

Blend de cinco correntes portuárias — água do mar, água de poço, drenagens; etapa primária em bancada (2026).

Reator + polímero aniônico + filtração.

Correntes portuárias somam origens diferentes no mesmo terminal: água do mar, água de poço e drenagens. Ensaiamos o blend como etapa primária, com reator, polímero aniônico e filtração. A etapa demonstrou remoção de matéria orgânica e de sólidos, e apontou o que faltava: polimento adicional para o nitrogênio antes de qualquer descarte.

DBO
375,8 → 28,7 mg/L (92,4%)
DQO
788,5 → 57,9 mg/L (92,7%)
SST
380 → 31 mg/L (91,8%)
Dureza
1.744 → 258 mg/L

Etapa primária apenas: nitrogênio ainda não conforme; polimento adicional necessário para descarte.

Unidade em skid com tanque e colunas de filtração.
Saneamento

Piloto contínuo em ETE municipal

ETE municipal; piloto contínuo de 1 m³/h com operações unitárias integradas (2026).

Piloto integrado em regime contínuo.

Um piloto contínuo de 1 m³/h operou integrado a uma ETE municipal, com as operações unitárias da futura unidade em skid. O objetivo do piloto não foi bater recorde: foi demonstrar estabilidade de operação em condições reais de estação. A validação analítica por laboratório acreditado segue em andamento.

Escala do piloto
1 m³/h (contínuo)

Desempenho qualitativo; validação por laboratório acreditado em andamento.

> 90%rendimento eletrolítico do reator
0,25–0,45 kWh/m³por 1.000 mg/L de DQO removida (bancada)
6 mintempo de reator em ensaios de bancada
10 m³/hpor módulo em skid (nominal)

Faixas medidas em ensaios e capacidades nominais de equipamento; o dimensionamento real depende da caracterização do efluente.

Resultados de ensaios de tratabilidade em bancada e piloto, com análises em laboratório acreditado; valores medidos naquelas amostras, sob as rotas indicadas — não constituem garantia de desempenho.

Modelo

Serviço, não equipamento.

Você contrata o tratamento da corrente — não um ativo na sua planta. A unidade é nossa: entra como serviço, dimensionada e operada para a sua matriz.

  • Sem aquisição de equipamento pelo cliente: a unidade é nossa e permanece nossa. Contrata-se a corrente tratada, não o ativo.
  • Unidade modular em skid, dimensionada a partir da caracterização do efluente e dos ensaios de tratabilidade. Módulos de 10 m³/h nominais se somam conforme o volume.
  • Operação, automação e telemetria remotas: parâmetros monitorados à distância, com registro contínuo de desempenho.
  • Desempenho acordado a partir da caracterização do efluente — e verificado ensaio a ensaio, não prometido de catálogo.
Ilustração isométrica de unidade de tratamento em skid: reator eletroquímico, vaso de separação de fases e colunas de filtração interligados.
Ilustração conceitual de unidade em skid — o arranjo real sai da caracterização e dos ensaios.

Processo

Da primeira amostra à operação monitorada.

Um fluxo de projeto em cinco etapas, da caracterização do efluente à operação rotineira. Cada etapa decide a seguinte: nada é dimensionado antes de medir, e nada é implantado antes de ensaiar.

  1. Caracterização

    A corrente do cliente é amostrada e caracterizada: matéria orgânica, óleos e graxas, sais, sólidos, pH. A caracterização responde à pergunta inicial — qual água é essa, e o que a torna difícil.

  2. Ensaio de tratabilidade

    Ensaios em bancada e, quando necessário, piloto testam rotas que combinam o reator com auxiliares de processo. Análises em laboratório acreditado medem o que cada rota entrega naquela matriz.

  3. Dimensionamento

    Com a rota validada, a unidade em skid é dimensionada: módulos, tempo de reator, auxiliares e polimento. O dimensionamento sai dos números do ensaio — não de tabela de catálogo.

  4. Implantação

    A unidade chega montada em skid e é integrada à operação existente. Módulos se somam conforme o volume, e a implantação respeita a rotina da planta — não o contrário.

  5. Operação monitorada

    Operação, automação e telemetria remotas acompanham a unidade em regime. O desempenho é o acordado a partir da caracterização; o acompanhamento é contínuo, com registro dos parâmetros.

Cada corrente começa pela caracterização — dela saem a rota, o dimensionamento e o desempenho acordado. Se os ensaios mostrarem que a matriz não comporta o destino desejado, dizemos antes de implantar.

Registro de campo

Imagens de instalação e processo da nossa base de operação, sem identificação de clientes, unidades ou locais. Registro documental: como o equipamento se apresenta e opera no dia a dia.

Detalhe de vaso e tubulação.
Separação de fases em tanque.
Amostras lado a lado — referência conceitual.
Bancada de análises e controle.
Filtração e polimento em skid.
Detalhe de vaso de processo conectado a tubulações.

Briefing

Monte seu briefing técnico.

Responda o essencial — setor, origem, volume e objetivo. O resumo é gerado aqui, no seu navegador, em texto pronto para colar no e-mail: nada é enviado, nada é armazenado fora do seu aparelho.

Setor
Origem da corrente
Faixa de volume
Objetivo
Analíticos conhecidos

Seu resumo fica somente neste navegador.

Resumo do briefing

BRIEFING TÉCNICO — CWS
Setor: Não informado
Origem da corrente: Não informado
Faixa de volume: Não informado
Objetivo: Não informado
Analíticos conhecidos: Não informado
Observações: Não informado

Perguntas frequentes

O que nos perguntam antes de começar.

Vocês vendem o equipamento?

Não. O modelo é serviço: contrata-se o tratamento da corrente, e a unidade em skid é nossa. O cliente não adquire ativo, não opera a unidade e não carrega a responsabilidade de manter o processo ajustado.

O que precisamos enviar para começar?

Uma amostra representativa da corrente e o contexto da operação: origem, volume, destino desejado e restrições locais. Analíticos recentes ajudam; se não houver, a caracterização inicial resolve.

O tratamento é livre de produtos químicos?

Não afirmamos isso. Rotas reais combinam o reator com auxiliares de processo — polímeros, ajuste de pH, peróxido, filtração ou flotação — definidos ensaio a ensaio. O que a eletroquímica faz é gerar in situ os principais agentes do tratamento, reduzindo a dependência de dosagens externas.

Quanto tempo leva um ensaio de tratabilidade?

Depende da matriz e da disponibilidade da amostra: caracterização, ensaios em bancada e análises em laboratório acreditado — cada etapa tem seu prazo. Não prometemos prazo fixo sem conhecer a corrente; o cronograma é acordado depois da caracterização.

A reinjeção serve para qualquer poço?

Não. A reinjeção é condicionada à compatibilidade química entre a água tratada e o poço: misturas incompatíveis podem gerar precipitados e comprometer a formação. A avaliação começa pela química da água e da formação, antes de qualquer decisão de injeção.

O óleo recuperado entra na proposta?

Como rota em desenvolvimento. A sequência — quebra de emulsão, flotação, centrifugação — é distinta da corrente de água e segue em avaliação. Quando madura, devolve óleo ao produtor; até lá, não a apresentamos como rota consolidada.

Como se escala de bancada a skid?

Pela mesma rota, validada em etapas: bancada, piloto quando necessário, e só então o dimensionamento da unidade. Módulos de 10 m³/h nominais se somam conforme o volume, e os parâmetros de operação saem dos ensaios — não de extrapolação.

O que este site não garante?

Nenhum número de resultado. Valores de remoção valem para a amostra e a rota ensaiadas; cada corrente nova exige caracterização e ensaio dedicados. O que acordamos é um processo: medir primeiro, dimensionar depois, operar com acompanhamento.

Sobre

Projeto em estruturação para águas complexas.

A CWS — Complex Water Solutions — é um projeto em estruturação dedicado a águas complexas — oleosas, salinas, de carga variável. Partimos de uma tecnologia eletroquímica com histórico de operação e a organizamos como serviço: caracterização, ensaio de tratabilidade, dimensionamento em skid, implantação e operação monitorada, caso a caso. O modelo nasceu de uma constatação simples: a maioria das operações não quer operar uma planta de tratamento — quer a corrente resolvida.

Falamos a língua técnica e evitamos promessas. O que vale é o que os ensaios mostram para a sua corrente, medido em laboratório acreditado e discutido com os números na mesa. Onde a rota exige auxiliares, dizemos; onde o destino é condicionado — à matriz, à licença, à compatibilidade com o poço —, escrevemos a condição junto. É assim que acreditamos que confiança se constrói: com condições explícitas, não com superlativos.